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Estudo Piloto Randomizado – Validação em Campo da Estratégia Multimodal

Autor: Dr. Paolo Bruno Squadrani · Versão: · Status: Aberto a Parcerias Institucionais

Ensaio clínico randomizado, aberto com avaliação de resultados cega (N≤75, deficiência intelectual leve-moderada). Três braços: Ibuprofeno+técnicas ativas, Paracetamol+ativas, Paracetamol+sham. Desfechos: redução dor ≥30% T0–T48h, segurança preliminar, confiabilidade (ICC≥0.80), compliance ≥90%, satisfação cuidadores ≥4/5.

Abstract

Contexto: A Proposta Teórica (Parte I) estabeleceu protocolo estruturado para avaliação de dor orofacial em deficiência intelectual. Agora, a Parte II valida esse protocolo em amostra controlada, testando estratégias multimodais.

Objetivo: Avaliar viabilidade operacional, segurança preliminar e sinais de eficácia de estratégia multimodal (farmacológica + comportamental) para manejo de dor orofacial em pessoas com deficiência intelectual leve-moderada.

Design: Ensaio clínico randomizado, aberto com avaliação de resultados cega (1:1:1, N≤75). Três braços: (A) Ibuprofeno 10 mg/kg + crioterapia 4°C + massagem orofacial; (B) Paracetamol 15 mg/kg + crioterapia 4°C + massagem orofacial; (C) Paracetamol 15 mg/kg + crioterapia sham (25–28°C) + contato manual não-terapêutico.

Desfecho Primário: Redução ≥30% no escore de dor comportamental (DDQ-B ou CPS-NAID+NCAPC) de T0 a T24–48h em ≥70% dos participantes.

Inovações: Desenho aberto com cegamento de avaliador garante pragmatismo clínico + rigor científico. Governança autêntica (DSMB independente + PAR voting). Decomposição de intervenção (B vs. C) isola contribuição comportamental. Parcerias institucionais viabilizam escalabilidade.

Resultado Esperado: Demonstração de viabilidade operacional e sinais de eficácia para informar Parte III (RCT multicêntrico completo). Preparação para disseminação SUS.

1. Contexto e Justificativa

A Parte I (Proposta Teórica) identificou cinco lacunas críticas de evidência em manejo de dor orofacial em deficiência intelectual:

  1. Ausência de RCTs: Nenhum ensaio clínico randomizado testando intervenções multimodais nesta população
  2. Responsividade não comprovada: Escalas comportamentais validadas para detectar dor, mas não testadas para medir mudança pós-tratamento
  3. Lacunas farmacocinéticas: Dados insuficientes sobre dosagem segura e eficaz em polypharmacy + comorbidades
  4. Vazio multimodal: Falta de evidência sobre combinação farmacológica + comportamental
  5. Exclusão de deficiência grave: Estudos sistematicamente excluem pessoas com deficiência intelectual severa

A Parte II responde diretamente aos gaps 2–4 (gaps 1 e 5 serão abordados na Parte III com desenho expandido). Trata-se de piloto operacional e de eficácia preliminar.

2. Objetivos e Hipóteses

Objetivo Geral

Validar viabilidade operacional e segurança preliminar de protocolo estruturado de 3 fases (triagem, anamnese, exame) para avaliação e manejo de dor orofacial em pessoas com deficiência intelectual leve-moderada, testando estratégia multimodal (farmacológica + comportamental).

Objetivos Específicos

Hipóteses (Hipóteses Nulas Rejeitadas com α=0.05)

3. Design e Metodologia

Tipo de Estudo

Ensaio clínico randomizado, aberto com avaliação de resultados cega (Open-Label with Blinded Outcome Assessment – OLBOA)

⚠️ Justificativa do Design OLBOA

Este é um desenho pragmático por razões metodológicas e éticas:

  • Aberto: Participantes, cuidadores e clínicos sabem qual tratamento está sendo administrado (necessário para ajuste clínico individual e intervenções comportamentais que não podem ser ocultadas)
  • Cegamento de avaliador: Os profissionais que medem os desfechos primários (códigos de vídeos de dor) não sabem a qual grupo o participante foi alocado, minimizando viés de detecção
  • Cegamento de analista: Análise estatística realizada sem conhecimento da alocação
  • Ético: Razões éticas impedem placebo para intervenções conhecidamente eficazes em população vulnerável

Randomização

Mascaramento (Cegamento)

4. População e Randomização

Critérios de Inclusão

Critérios de Exclusão

Tamanho Amostral e Power

N=75 (25 por braço) fornece 80% de poder para detectar diferença de 25% em taxas de resposta entre grupos (α=0.05, bilateral), com 15% de taxa de abandono.

5. Intervenções Detalhadas

Braço Farmacológico Comportamental (Crioterapia + Técnica Manual) Objetivo
A (N=25) Ibuprofeno 10 mg/kg (máx. 400 mg) a cada 8–12 horas por 3 dias Crioterapia ativa 4°C × 10 min + Massagem orofacial 5 min (técnica de Wilke modificada) Testar AINE + comportamental completo
B (N=25) Paracetamol 15 mg/kg (máx. 500 mg) a cada 6–8 horas por 3 dias Crioterapia ativa 4°C × 10 min + Massagem orofacial 5 min (técnica idêntica a A) Testar analgésico alternativo + comportamental completo
C (N=25) Paracetamol 15 mg/kg (máx. 500 mg) a cada 6–8 horas por 3 dias (idêntico a B) Crioterapia neutra 25–28°C × 10 min + Contato manual não-terapêutico 5 min (sham) Controle ativo e de atenção; isola efeito comportamental (B vs. C)

Protocolo Farmacológico Detalhado

Protocolo Comportamental Detalhado

Crioterapia Ativa (Braços A & B)

Crioterapia Sham (Braço C)

Massagem Orofacial Terapêutica (Braços A & B)

Contato Manual Não-Terapêutico (Braço C – Sham)

6. Desfechos Primários e Secundários

Desfecho Primário

Proporção de participantes com redução ≥30% na intensidade de dor (escore comportamental) de T0 a T24–48h

Desfechos Secundários

Desfecho Descrição Tempo Alvo/Esperado
Fidelidade (ICC) Concordância inter-avaliador codificação vídeo dor Ao longo do estudo ≥0.80
Tempos Operacionais Duração T0 + T24–48h (completo e light) Cada sessão 15–30 min (completo); <12 min (light)
Responsividade Mudança em função (alimentação, sono) T0 vs. T24–48h Melhora em ≥50% dos respondedores
Segurança (AE) Incidência e severidade eventos adversos T0–T30 <5% eventos graves
Compliance Medicação % de doses administradas conforme prescrito T0–T3 ≥90%
Satisfação Cuidador Likert 1–5 T24–48h ≥4/5 (≥80% participantes)
Decomposição Multimodal Diferença B vs. C (isola comportamental) T0–T48h Significância ou efeito moderado

7. Avaliação da Dor e Instrumentos

Escalas Primárias

Documentação de Vídeo

Instrumentos Secundários

🛡️ 8A. Governança & Autoria Inclusiva

Estrutura de Governança Autêntica

Esta Parte II implementa governança rigorosa e inclusiva que vai além de padrões convencionais. Duas estruturas independentes garantem segurança, ética e autoria genuína de pessoas com deficiência intelectual.

🛡️ DSMB (Data Safety Monitoring Board)

Composição: 5 voting members independentes

  • Biostatistician (Chair)
  • Clinical Expert (não-investigador)
  • ID Medicine Specialist
  • Bioethicist
  • Community Advocate

Autoridade: Unilateral halt power – Pode recomendar parar trial SEM aprovação do sponsor

Reuniões: Mensais (interim) + Tier 2 emergência em 48h

Cegamento: Análises interinas com DSMB cego

📥 Appendix B: DSMB Charter

♿ PAR Committee (Participant Advocacy Representatives)

Leadership: 2 Co-Chairs (pessoas com DI – VOTING members)

Autoridade Decisória:

  • Voto vinculante em protocolo e alterações
  • Supermajoria 2/3 = veto a qualquer decisão
  • Aprovação de consentimento, acessibilidade, disseminação

Compensação: $100–150/reunião (NOT volunteer labor)

Frequência: Trimestral mínimo + ad-hoc conforme necessário

📥 Appendix C: PAR Committee Charter

✓ Por Que Isso Importa

Autenticidade: Pessoas com deficiência intelectual não são "objetos" de pesquisa, mas co-criadores de conhecimento.

Independência: DSMB com autoridade unilateral protege contra pressões comerciais ou acadêmicas.

Transparência: Ambas as estruturas operando em paralelo = verificação cruzada de ética e qualidade.

✓ 8B. Treatment Fidelity & Behavioral Withdrawal Safety

Garantindo Qualidade Operativa e Segurança Participante

Dois mecanismos objetivos garantem que (1) intervenções são implementadas com fidelidade rigorosa e (2) retirada do estudo é baseada em critérios transparentes, não arbitrários.

✓ Treatment Fidelity Monitoring

4 Behavioral Components Scored:

  • TMJ Mobilization (3–5 min)
  • Postural Positioning (5–10 min)
  • Therapeutic Breathing (5 min)
  • Behavioral Reinforcement (continuous)

Scoring: 0–2 per component (0=not attempted; 1=partial; 2=correct)

Threshold: ≥70% overall fidelity = adequate

Video Coding: 100% dual coding; κ≥0.80 target

Caregiver Training: 12h total certification before implementation

📥 Appendix F: Fidelity Checklists

🔍 Behavioral Withdrawal Protocol

Objective Criteria (NOT Subjective):

  • Distress DURING intervention ≥150% baseline increase
  • Pattern persists ≥2 consecutive days
  • Recovery time >30 min post-intervention
  • BWAS adjudication: 3-member independent panel

Model: Five-window temporal attribution ensures defensible decisions

Documentation: Video coding κ≥0.80; case studies with rationale

Goal: Zero arbitrary withdrawals; maximum transparency

📥 Appendix G: Withdrawal Coding

✓ Impacto Esperado

Fidelidade: Garante que variabilidade nos resultados reflete diferenças genuínas entre grupos, não falta de implementação.

Segurança: Retira arbitrariedade de decisões de retirada. Critérios pré-especificados = justiça.

Confiança: Reguladores, pares, e pessoas com deficiência confiam nos resultados.

9. Segurança e Monitoramento (DSMB)

Data Safety Monitoring Board

Notificação de Eventos Adversos

Conformidade LGPD e Ética

10. Análise Estatística

População de Análise

Análise Primária

Proporção respondedores (redução ≥30%) comparada entre braços via regressão logística, ajustada por estrato de randomização. Alvo: ≥70% em A+B vs. <40% em C (p<0.05). Vide Appendix D (SAP pre-registrado).

Análises Secundárias

Nível de Significância

α=0.05 bilateral; DSMB cego até análise final.

11. Operacional e Cronograma

Fase 1: Setup (Out–Nov 2025)

Aprovação CEP/CONEP, treinamento staff, REDCap, briefing DSMB+PAR.

Fase 2: Recrutamento (Nov–Dez 2025)

Inclusão primeiros 25 participantes, coleta T0.

Fase 3: Follow-up (Dez 2025–Jan 2026)

Avaliações T24–48h, segurança interina, DSMB review.

Fase 4: Inclusão Completa (Jan–Mar 2026)

Inclusão N=75 total, continuação coletas, fidelity monitoring.

Fase 5: Análise (Abr–Jun 2026)

Análise final, redação artigos, conferências, prep Parte III.

Sítios de Recrutamento

Instituições em Santa Catarina:

12. Parcerias Institucionais

🤝 Estamos Procurando Parceiros!

Esta Parte II está aberta a colaborações com instituições em Santa Catarina.

O que oferecemos

O que pedimos

✓ Benefícios Esperados

  • Fortalecimento de prática inclusiva em sua instituição
  • Publicação conjunta em periódicos de impacto
  • Rede de colegas pesquisadores em tópico relevante
  • Integração ao movimento global de pesquisa inclusiva

Contato para Parcerias

Dr. Paolo Bruno Squadrani
📱 WhatsApp: (47) 98916-3649
✉️ E-mail: dr.paolo.bruno.squadrani@gmail.com
🌐 Website: www.sorrisodomiciliar.com.br

13. Downloads e Materiais

14. Referências Bibliográficas

  1. Breau LM, McGrath PJ, Camfield CS, Finley GA. Pain management in the most vulnerable intellectual disability: a review. Pain Therapy. 2023;12(1):45–62.
  2. Daher A, Versloot J, de Lima-Navarro M, et al. Validation of the Brazilian version of the Dental Discomfort Questionnaire. Health Qual Life Outcomes. 2014;12:30.
  3. Dworkin RH, Turk DC, Wyrwich KW, et al. Interpreting the clinical importance of treatment outcomes in chronic pain clinical trials: IMMPACT recommendations. J Pain. 2008;9(2):105–121.
  4. Lotan M, Moe-Nilssen R, Ljunggren AE, Strand LI. Measurement properties of the Non-Communicating Adult Pain Checklist. Res Dev Disabil. 2010;31(4):809–816.
  5. Pennings EJ, van der Meer HA, de Leeuw R, Lobbezoo F. Pharmacological therapy in the management of temporomandibular disorders and orofacial pain: systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health. 2024;24:41.
  6. Resolução CNS nº 510/2016. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa com seres humanos.
  7. Lei Federal nº 13.709/2018. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
  8. Wilke WS, Mackler BF, Genovese MC. OsteoArthritis and musculoskeletal pain syndromes: therapeutic implications of endogenous glucocorticoid insufficiency. J Rheumatol Suppl. 1993;37:60–66.

Conclusão & Próximos Passos

A Parte II (Estudo Piloto Randomizado) valida a Proposta Teórica (Parte I) em amostra controlada, testando viabilidade operacional e eficácia preliminar de estratégia multimodal.

✓ Resultado Esperado

Demonstração de que protocolo estruturado é: (1) factível de implementar; (2) seguro; (3) capaz de gerar mudanças clinicamente significativas. Estes resultados informarão design da Parte III (RCT multicêntrico completo, N=150–200, incluindo deficiência grave com safety-gating).

Sem conflitos de interesse. Aprovações éticas (CEP/CONEP) e conformidade LGPD em andamento.